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Publicado em 23/09/2026 08:32:18 • Opinião

O que torna as pessoas felizes?

Somos mais felizes quando sabemos que nossa vida importa
Imagem meramente ilustrativa

Todos nós queremos a felicidade, no entanto não sabemos como ou por onde consegui-la. Na verdade, não conseguimos nem mesmo definir o que ela é ou o que ela não é.

Se eu perguntasse para pessoas aleatórias na rua o que a felicidade é, imagino que surgiriam respostas do tipo:

a) "uma vida sem problemas"

Isso é impossível, ao menos para quem vive em sociedade. Afinal, as pessoas são instáveis e imprevisíveis, e não podemos nos relacionar com os outros sem ter algum tipo de divergência. Mesmo eremitas precisarão resolver problemas mentais, pois na solidão ainda existem dúvidas e conflitos psicológicos.

b) "uma vida com muito dinheiro"

Dinheiro realmente facilita a vida, mas todo rico morre de medo de ser pobre. Então para cada viagem às Bahamas fica a preocupação de como manter um patrimônio ameaçado, ou como enriquecer ainda mais, já que os ricos têm inveja dos mais ricos, e os mais ricos têm inveja dos muito mais ricos, e por aí vai. Pra piorar, quem enriquece nem sempre faz isso de forma ética. Sujar as mãos requer um endurecimento afetivo e o preço disso é uma vida fria e emocionalmente distante, ou seja, alguns ricos precisam sacrificar o coração para alargar o espaço de seus bolsos.

c) "fama"

Quem tem fama nem sempre tem prestígio. Existem grandes confortos, é claro, mas tenho certeza que qualquer notícia que eu fosse abrir agorinha mesmo em uma página aleatória de fofocas teria um milhão de comentários de infelizes torcendo pela derrocada de quem quer que esteja nas manchetes. Tem estômago pra viver assim?

d) "prazer infinito"

Ninguém confessa esse aqui - a menos que eu pergunte para crianças - mas secretamente muitos associam felicidade à ideia de uma vida como um parque de diversões, onde haveria sempre a euforia da montanha russa e tudo seria prazeroso, saboroso, intenso e não haveria nenhum segundo de tédio, frustração ou adversidade. Isso é tão possível quanto a vida imaginada no item a.

Podemos concluir que nossa ideia de felicidade muitas vezes se baseia em contos de fada, ou promessas de coisas que não condizem muito com a realidade. E ainda assim continuamos buscando ela, afinal nossos planos de vida precisam de algum tipo de esperança.

Há, inclusive, quem tenha alergia ao termo: conheço psicólogos que odeiam a palavra "felicidade", por ela evocar um tipo de ilusão de positividade tóxica, dessas que a gente vê nas propagandas de banco e comerciais de margarina. Para esses, é melhor não mencionar a "palavra com F", pois ela atrai coisas ruins supersticiosamente.

Independentemente da felicidade existir ou não, o fato é que existem maneiras da gente ter ao menos uma vida mais satisfatória. E apesar de ser difícil medir coisas como felicidade e satisfação por dependerem de critérios muito subjetivos e facilmente questionáveis (por exemplo, uma pessoa pode se dizer feliz sem admitir ou ter consciência do quanto sofre), o melhor resumo que eu já vi sobre o que torna uma vida satisfatória veio do americano Jonathan Haidt.

Haidt, que é psicólogo social e estuda assuntos como psicologia moral e psicologia política, escreveu um livro sobre a felicidade em 2006, numa perspectiva evolutiva. Ele reconhece que existem muitas variáveis como a genética e o ambiente para uma vida feliz, mas no documentário Happy Film (2016) argumenta que o fator mais importante para a satisfação é viver uma vida em que se tenha a sensação de que se está conectado a algo maior.

O que ele quis dizer com isso é que quando vivemos sabendo que estamos fazendo a diferença na vida de outras pessoas, em que nosso trabalho não existe apenas para pagar nossas contas e que sabemos que temos um grupo de pessoas com quem contar se tudo der errado, conseguimos ter muito mais resiliência e motivação para seguirmos com nossas vidas quando as adversidades surgem.

Em termos simples, somos mais felizes quando sabemos que nossa vida importa. Mas não no sentido egóico, de ser o centro das atenções, e sim de que não deixamos que nosso valor se sobreponha ao amor que depositamos aos outros!

 

(*) Leonardo é Psicólogo e atende em Cerro Largo.

Fonte: Leonardo Stoffels / Psicólogo
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