

Especialistas esclarecem as principais dúvidas sobre um dos doces mais apreciados do mundo
Chocolate vicia? Causa espinhas? Engorda? Pode ajudar na depressão? Esses são alguns dos questionamentos comuns acerca de um dos doces mais apreciados no mundo. Porém, nem tudo o que é disseminado sobre o chocolate é verdade.
Pensando nisso, com a ajuda de especialistas, esclarecemos nove mitos e verdades sobre o chocolate, explicando o que é realmente verdade sobre o doce, seus benefícios e malefícios e outras curiosidades. Confira:
1. Chocolate pode viciar
Mito. O chocolate não possui nenhuma substância que vicia e, por isso, não leva ao vício. "É verdade que alguns alimentos são muito gostosos e nos causam prazer em comer, mas vício está muito além disso", afirma Alexandra Corrêa de Freitas, nutricionista e professora do curso de Nutrição da Faculdade Santa Marcelina.
A especialista explica que a definição de vício segue critérios técnicos estabelecidos na área da saúde e tem sinais e sintomas que não são observados após a ingestão de alimentos, como o chocolate.
"O vício está diretamente relacionado a uma dependência, que altera mecanismos neurológicos de captação de neurotransmissores, interferindo na tomada de decisões, racionalidade e julgamento. Os alimentos, dentre eles o chocolate, podem trazer boas sensações e prazer em comer, mas sua ausência não causa sintomas de abstinência ou prejuízos na racionalidade", diz. "Por isso, não, o chocolate não vicia. O que vemos comumente é um hábito de se repetir o consumo pelo prazer obtido", completa.
2. Chocolate faz bem para a saúde do coração
Verdade. Mas, para isso, ele precisa ter uma boa concentração de cacau. "O chocolate amargo apresenta minerais em sua composição, como magnésio, cobre e potássio, que atuam de forma cardioprotetora no corpo", afirma Renata Cristina Taveira Azevedo, nutróloga do HSPE (Hospital do Servidor Público Estadual).
"Os benefícios à saúde cardiovascular são decorrentes dos flavonoides presentes no cacau. Dessa forma, os chocolates amargos (porcentagem superior à 50% de cacau), têm maior potencial para nos oferecer esses benefícios, desde que aliados a outros cuidados com a saúde do coração, como uma alimentação equilibrada, prática de atividade física, não tabagismo, entre outros", completa Freitas.
3. Chocolate ajuda a aliviar os sintomas relacionados à ansiedade e depressão
Mito. A ansiedade e depressão são transtornos mentais que requerem diagnóstico médico e tratamentos adequados, com terapia e, em alguns casos, uso de medicamentos. O que acontece, na verdade, é que o chocolate pode causar uma boa sensação no consumidor e, consequentemente, trazer alívio de sentimentos negativos.
"O chocolate é um ativador natural da serotonina no cérebro humano, substância que causa o bem-estar", afirma Azevedo. Além disso, o alimento também está associado à liberação de dopamina e endorfina, que causam sensação de prazer, alegria, satisfação e bem-estar. "Por isso, podem estar associados ao alívio dos sintomas de ansiedade e depressão, porém, apenas seu consumo não alcançará o objetivo de tratar essas condições", ressalta Freitas.
4. Chocolate é antioxidante
Verdade. Mas, novamente, esse é um benefício de chocolates com alta concentração de cacau. "É o cacau, presente nos chocolates, que possui substâncias bioativas, como os flavonóis, que são polifenóis que têm ação antioxidante com capacidade de nuclear radicais livres e diminuir a oxidação das células e de material genético que ocorrem de forma natural no organismo", explica a nutricionista.
5. Chocolate causa espinhas
Mito. O chocolate em si não causa espinhas. "As espinhas são causadas pela obstrução das glândulas sebáceas, responsáveis pela produção de sebo da pele, e podem ser influenciadas por fatores genéticos, excesso de oleosidade, alterações hormonais, acúmulo de bactérias e hábitos de vida, como os hábitos alimentares", explica Freitas.
O que acontece é que, qualquer alimento rico em açúcar, quando consumido em excesso, pode favorecer o surgimento de espinhas. "Consumir um alto teor de açúcar pode promover o aumento da produção da glândula sebácea, podendo ter um aumento da descamação epidérmica dos corneócitos [células presentes na pele] e aumento da presença de germes gram-negativos na superfície da pele", explica Azevedo.
6. Chocolate amargo não engorda
Mito. O chocolate amargo é a opção mais saudável entre os chocolates e pode fazer parte de uma alimentação saudável, desde que consumido com moderação. "Ele tem maior teor de cacau comparação ao chocolate ao leite e ao branco e tem menos açúcares em sua composição. Mas, ainda assim, quando consumido em excesso pode elevar a gordura corporal", afirma a nutróloga.
7. Chocolate ajuda a reduzir o colesterol
Verdade, desde que haja uma boa concentração de cacau. Estudos mostraram que o consumo de cacau está relacionado à saúde cardiovascular, incluindo o controle dos níveis de colesterol no sangue. "No entanto, é importante dizer que aliado ao cacau é preciso ter uma alimentação equilibrada, com baixo teor de gordura saturada, rica em fibras e em gorduras insaturadas", ressalta Freitas.
8. Chocolate é afrodisíaco?
Verdade, mas, novamente, isso é válido para opções com boa concentração de cacau. O fruto possui uma substância chamada feniletilamina, que induz a liberação de endorfina, dopamina, serotonina e outros neuroquímicos que causam euforia e contribuem para o aumento da libido, da sensação de bem-estar, bom humor e prazer, conforme explica a nutricionista.
"Os flavonóis também presentes no cacau funcionam como antioxidantes e podem contribuir no desempenho sexual ao melhorar a circulação de sangue no corpo", afirma.
9. Chocolate não vicia, mas cria conexões emocionais
Embora o chocolate não cause dependência do ponto de vista médico, como explicam os especialistas, o doce ocupa um espaço afetivo importante na rotina de muitas pessoas.
A relação com o chocolate vai além do sabor e está ligada a memórias, emoções e momentos de conforto. Para Ale Costa, o chocolate é um alimento que carrega um forte significado emocional.
"O chocolate está muito ligado a momentos de celebração, carinho e recompensa, faz parte da vida das pessoas em situações especiais", afirma em entrevista.
Segundo o empresário, esse vínculo ajuda a explicar por que o doce é tão desejado, mesmo sem provocar vício químico. Ele também destaca que, nos últimos anos, o comportamento do consumidor tem mudado, com uma busca maior por chocolates de melhor qualidade e com maior concentração de cacau, movimento que se alinha às recomendações de especialistas sobre escolhas mais conscientes e equilibradas.
Apesar do apelo emocional, nutricionistas reforçam que o prazer proporcionado pelo chocolate pode fazer parte de uma alimentação saudável, desde que o consumo seja moderado e priorize versões com menos açúcar e maior teor de cacau.