

Algumas pessoas têm dúvidas a respeito da água com gás. As preocupações comuns estão relacionadas com a quantidade de sódio, a acidez do pH, possíveis problemas nos ossos e até com a celulite. Mas será que alguma dessas preocupações tem fundamento?
Confira a seguir quatro mitos sobre a bebida.
Mito. Quando o assunto é rótulo de água, os macronutrientes e as calorias estão ausentes, afinal trata-se de uma água. Em muitos produtos, o sódio costuma ser o único item que aparece na tabela nutricional acompanhado de um valor numérico, talvez por isso chame atenção. Mas antes de se preocupar, vamos aos números.
O teor de sódio nas águas varia de acordo com a origem e o fabricante, mas a maioria das marcas populares contém menos de 20 mg de sódio por litro, o que é bem pouco. No Brasil, o limite máximo diário recomendado pelo Ministério da Saúde é de 2.000 mg de sódio — o equivalente a 5 g de sal de cozinha. Isso significa que seria preciso beber 100 litros de água com gás em um dia para atingir esse limite.
Para se ter uma ideia, uma porção de pão de forma (50 g) tem cerca de 190 mg de sódio. O verdadeiro excesso está nos alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, que carregam até 450 mg de sódio num pacote pequeno. A água com gás não é uma fonte relevante do mineral e não precisa ser evitada por causa disso.
Mito. O pH da água com gás é mais ácido que o da água pura por conta do dióxido de carbono (CO2) dissolvido. Mas isso não altera o pH do sangue nem prejudica os ossos — uma confusão comum, que não tem respaldo científico.
Nosso corpo tem sistemas altamente eficientes de regulação do pH, um mecanismo comandado principalmente pelos rins e pelos pulmões, que eliminam facilmente o CO2 contido na água. O sangue humano é mantido entre pH 7,35 e 7,45, independentemente do que comemos ou bebemos. Um suco de limão natural é bem mais ácido que uma água com gás e nem por isso é motivo de preocupação.
Mito. Gás carbônico é um gás natural que existe no ar que respiramos. Ele é formado por um átomo de carbono ligado a dois átomos de oxigênio (CO2), uma fórmula química que permanece igual, independentemente da origem. Portanto, não há diferença se o gás da água for proveniente de uma fonte natural, como nas águas termais, ou injetado durante o envase.
Mito. Essa é uma crença totalmente infundada. A ideia de que as bolhas da água com gás provocariam celulite não tem base científica e não passa de uma associação entre a imagem das bolhas de gás e o aspecto granular da pele com celulite. Mas essa é uma condição multifatorial, que está relacionada com a gordura subcutânea, com a estrutura do tecido conjuntivo e com inflamações locais — não ao gás carbônico presente nas bebidas.
"Imaginar que as bolhas de gás presentes na água se transformam em celulite faz tanto sentido quanto pensar que estourar um plástico bolha causa celulite. Não tem cabimento", afirma Sari Fontana.
Água com gás não oferece riscos à saúde, nem pela quantidade de sódio presente, que é mínima e irrelevante para a maioria das pessoas, nem pelo pH mais ácido, pois isso não altera o equilíbrio do corpo. A celulite não tem nenhuma relação com o consumo de gás carbônico. Se você gosta de água com gás, com ou sem aromas, pode beber sem culpa, aliás, essa é uma excelente opção para substituir os refrigerantes e os sucos doces: hidratação e refrescância, sem calorias.