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Publicado em 20/05/2026 15:18:48 • Saúde

Café faz subir a pressão arterial?

Estudos explicam relação entre consumo da bebida e risco de hipertensão
Imagem meramente ilustrativa (Foto: Canva)

Pesquisadores apontam que cafeína pode acelerar o coração e contrair vasos sanguíneos, especialmente em quem não costuma consumir a bebida; atenção deve ser maior entre pessoas com pressão muito alta

O café pode provocar um aumento temporário da pressão arterial, mas isso não significa que a bebida esteja, por si só, prejudicando o coração. Pesquisadores afirmam que a cafeína pode elevar a pressão por estimular o coração e contrair os vasos sanguíneos, sobretudo em pessoas que não bebem café com frequência ou que já têm hipertensão. Ainda assim, grandes estudos com centenas de milhares de participantes não encontraram evidências fortes de que o consumo moderado aumente o risco de desenvolver pressão alta.

Presente na cultura humana há mais de 600 anos, o café segue como uma das bebidas mais populares do mundo. Em média, o consumo global chega a quase dois quilos por pessoa ao ano, com preferências que variam entre métodos de preparo, tipos de grãos e misturas. A genética também pode influenciar o quanto uma pessoa gosta de café, ao atuar tanto no metabolismo da cafeína quanto no sistema de recompensa do cérebro.

A pressão arterial mede a força que o sangue exerce sobre as paredes das artérias enquanto o coração bombeia. Ela é registrada por dois números: a pressão sistólica, o valor mais alto, que indica a força gerada quando o coração se contrai; e a diastólica, o número mais baixo, medido quando o coração relaxa entre os batimentos.

Uma leitura considerada normal fica abaixo de 120 milímetros de mercúrio (mm Hg) na sistólica e abaixo de 80 mm Hg na diastólica. Quando os números chegam de forma consistente a 140/90 ou mais, o quadro é classificado como hipertensão.

A condição costuma ser chamada de silenciosa porque, em geral, não provoca sintomas. Sem tratamento ou controle adequado, aumenta o risco de infartos e AVCs, além de agravar doenças cardíacas e renais já existentes. Cerca de 31% dos adultos têm hipertensão, e metade deles não sabe. Entre os que usam medicamentos para pressão alta, aproximadamente 47% ainda não mantêm o quadro sob controle.

A cafeína atua como estimulante muscular e pode aumentar a frequência cardíaca em algumas pessoas. Em certos casos, isso pode contribuir para batimentos irregulares, conhecidos como arritmia. A substância também estimula as glândulas suprarrenais a liberar adrenalina, o que faz o coração bater mais rápido e os vasos sanguíneos se contraírem, elevando a pressão.

Os níveis de cafeína no sangue costumam atingir o pico entre 30 minutos e duas horas após o consumo de café. Sua meia-vida varia de três a seis horas, período em que a quantidade presente no sangue cai pela metade. Essa variação depende de fatores como idade, genética e hábito de consumo. Crianças metabolizam a substância mais lentamente, enquanto consumidores regulares tendem a eliminá-la com mais eficiência.

Revisões de pesquisas indicam que a cafeína presente no café, em refrigerantes de cola, bebidas energéticas e chocolate pode elevar a pressão sistólica entre 3 e 15 pontos e a diastólica entre 4 e 13 pontos após o consumo. O efeito pode ser mais relevante para pessoas que já têm hipertensão ou doenças cardíacas e hepáticas, que devem conversar com o médico sobre a ingestão de cafeína.

Apesar do foco na cafeína, o café contém centenas de fitoquímicos, compostos que influenciam sabor, aroma e possíveis efeitos sobre a saúde. Alguns deles podem afetar diretamente a pressão arterial. As melanoidinas, por exemplo, ajudam a regular o volume de fluidos do corpo e a atividade de enzimas envolvidas no controle da pressão. Já o ácido quínico foi associado à redução da pressão sistólica e diastólica, por melhorar o funcionamento dos vasos sanguíneos.

Uma revisão de 13 estudos, com cerca de 315 mil pessoas, analisou a relação entre consumo de café e risco de hipertensão. Durante os períodos de acompanhamento, 64.650 participantes desenvolveram pressão alta. No conjunto dos dados, os pesquisadores concluíram que o consumo de café não estava associado a maior risco de desenvolver a condição.

O resultado se manteve mesmo quando os dados foram analisados por gênero, quantidade de café consumida, consumo de bebida com ou sem cafeína, tabagismo e tempo de acompanhamento. Houve exceções em estudos dos Estados Unidos e em pesquisas de menor qualidade que sugeriram redução de risco, mas os autores alertaram que esses achados devem ser interpretados com cautela.

Outro estudo, feito no Japão, acompanhou mais de 18 mil adultos de 40 a 79 anos por quase 19 anos. Entre eles, cerca de 1.800 tinham pressão muito alta, classificada como hipertensão de grau 2 ou 3, com pressão sistólica de 160 ou mais ou diastólica de 100 ou mais. Nesse grupo, o risco de morte por doença cardiovascular, incluindo infarto e AVC, foi duas vezes maior entre aqueles que bebiam duas ou mais xícaras de café por dia em comparação com os que não consumiam a bebida.

A mesma associação não foi observada em pessoas com pressão normal ou hipertensão leve, de grau 1, definida por pressão sistólica entre 140 e 159 ou diastólica entre 90 e 99.

A conclusão dos especialistas é que, para a maioria das pessoas, não é necessário abandonar o café. A recomendação é conhecer os próprios níveis de pressão, o histórico de saúde e as fontes de cafeína na dieta. Também é importante considerar outros fatores que influenciam a pressão arterial, como histórico familiar, alimentação, ingestão de sal e prática de atividade física.

Os pesquisadores também orientam evitar cafeína antes de medir a pressão, já que ela pode alterar temporariamente o resultado, e reduzir o consumo à tarde quando a bebida prejudicar o sono. Para a maior parte das pessoas, a moderação significa limitar a ingestão a quatro xícaras por dia ou optar por café descafeinado. Já quem tem pressão sistólica de 160 ou mais ou diastólica de 100 ou mais deve considerar limitar o consumo a uma xícara diária e conversar com um médico.

Fonte: Clare Collins / The Conversation / O Globo
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